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O presidente do Cremego, Salomão Rodrigues Filho, deixou a reunião realizada hoje (18) no Ministério Público (MP) Estadual, para buscar soluções para a crise no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), bastante preocupado. Sem a apresentação de propostas imediatas para sanar o problema da superlotação do hospital, das más condições de trabalho e má remuneração dos médicos, ele teme o agravamento dos problemas. “A crise pode piorar, principalmente, no feriado do Carnaval”, disse. Representante dos cirurgiões gerais do Hugo, que desde dezembro vêm denunciando a precariedade das condições de trabalho no hospital, Salustiano Gabriel também deixou a reunião, após três horas e meia de discussão, certo de que a crise vai se agravar nos próximos dias. Segundo ele, desde o dia 8, três cirurgiões gerais já pediram demissão do hospital, insatisfeitos com as precárias condições de trabalho e de remuneração. Nos próximos dias, mais médicos devem se demitir. Segundo Salustiano, não se trata de uma demissão em massa, mas da saída individual de profissionais que já não suportam o trabalho no pronto-socorro, onde faltam equipamentos, materiais, medicamentos, pessoal, a superlotação é constante e os vencimentos estão defasados. “Sem um estímulo, os médicos vão deixar o Hugo”, afirmou, após ouvir o secretário Estadual de Saúde, Cairo Alberto de Freitas, descartar qualquer possibilidade de reajuste salarial ou a equiparação dos vencimentos dos médicos do hospital. Essa equiparação com os valores pagos aos neurocirurgiões, reivindicada pelos médicos de outras especialidades, segundo Cairo de Freitas, é justa. “Mas, não temos condições financeiras nem legais de atendê-la”, disse. O aumento dos valores pagos aos médicos, de acordo com o secretário, seria possível com a criação de uma Fundação Estatal de Direito Privado para gerir o Hugo e outros hospitais da rede pública estadual. O projeto de criação da fundação será encaminhado à Assembléia Legislativa no dia 15 de fevereiro, quando os deputados voltam ao trabalho. Para o presidente do Cremego, essa proposta – que em outros Estados enfrenta a oposição da classe médica – precisa ser amplamente debatida em Goiás. Sobre a reivindicação da melhoria das condições de trabalho no Hugo, o secretário anunciou que já providenciou a compra de alguns equipamentos e materiais. “Eles devem ser entregues na próxima semana”, disse. Quando ao déficit de pessoal, denunciado pelos médicos, Cairo de Freitas afirmou que o Hugo tem um número suficiente de servidores para seu funcionamento e que não haverá o aumento do quadro. Para suprir o déficit em alguns setores do hospital, segundo o secretário, serão feitos remanejamentos. “Podemos demitir onde houver excesso e contratar para áreas com déficit”, disse. Esse remanejamento contará com a consultoria do Ministério da Saúde e será coordenado por uma comissão formada hoje e composta pelo diretor-geral do Hugo, Luciano Leão, o representante dos cirurgiões gerais, o primeiro secretário do Cremego, Lueiz Amorin Canêdo, e o presidente da Associação dos Hospitais do Estado de Goiás (Aheg), Robson Azevedo. A primeira reunião da comissão será na segunda-feira (21), às 9 horas, no Hugo. A procuradora Ivana Farina anunciou que o MP vai acompanhar esse remanejamento e o processo de compra dos equipamentos. O órgão também vai acompanhar a transferência para o Hospital Geral de Goiânia (HGG) dos pacientes crônicos internados no Hugo. A transferência começou na quarta-feira (16). O HGG disponibilizou 38 vagas para a internação desses pacientes. Na quarta-feira (23), às 19 horas, os médicos do Hugo farão uma assembléia geral no hospital para avaliar a situação da unidade e as medidas a serem adotadas pela categoria, que está em estado de greve desde 26 de dezmebro.

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