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O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) vai intensificar a atuação contra a prescrição e a oferta irregulares da chamada soroterapia. Entre as medidas anunciadas estão a elaboração de uma resolução específica sobre o tema e o desenvolvimento de ações conjuntas com a Superintendência de Vigilância Sanitária de Goiás para coibir práticas sem indicação clínica e sem respaldo científico.

As iniciativas foram discutidas em reunião aberta realizada na segunda-feira, 14, na sede do Conselho, em Goiânia. O encontro reuniu diretores e conselheiros do Cremego e representantes da Vigilância Sanitária Estadual para discutir a expansão da oferta de infusões intravenosas de vitaminas, minerais e outras substâncias, muitas vezes comercializadas em pacotes com promessas que vão de bem-estar, disposição e benefícios estéticos ao rejuvenescimento e tratamento de doenças crônicas.

Para o Cremego, o problema não está na terapia intravenosa quando há indicação médica fundamentada, mas na banalização do procedimento e em sua transformação em produto comercial, oferecido até mesmo a pessoas saudáveis, sem diagnóstico que justifique a prescrição.

Durante o encontro, o dermatologista e 2º tesoureiro do Cremego Adriano Loyola chamou a atenção para a falta de evidências científicas que sustentem muitas das indicações divulgadas atualmente. Segundo ele, há estabelecimentos que trabalham com verdadeiros “cardápios” de infusões, sem individualização do atendimento, sem diagnóstico, oferecendo combinações prontas de substâncias para finalidades diversas. A divulgação por celebridades e influenciadores nas redes sociais também tem contribuído para popularizar o procedimento.

Adriano Loyola alertou que não existem evidências suficientes sobre os efeitos dessas combinações em organismos saudáveis, especialmente quando administradas em doses elevadas, nem segurança para prever os possíveis desfechos clínicos. Também chamou a atenção para riscos de toxicidade e para a oferta de infusões em locais como shoppings e eventos, sem o acompanhamento clínico necessário.

A preocupação, já manifestada pelo Cremego em diversas ocasiões, é compartilhada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que publicou um alerta sobre a prática. A Anvisa esclareceu que não há evidência científica que comprove benefícios da soroterapia para finalidades como aumento da energia e da imunidade, rejuvenescimento ou “detox” em pessoas saudáveis e advertiu para riscos como infecções, reações alérgicas e hipervitaminose.

Para coibir esse uso indiscriminado da soroterapia, Cremego e a Superintendência Estadual de Vigilância Sanitária vão realizar ações conjuntas, inclusive para a orientação à população sobre os riscos do procedimento. O Conselho também estuda a edição de uma resolução para definir as diretrizes dessa indicação. O objetivo é proteger a população contra essa prática que vem ganhando espaço no mercado e nas redes sociais e colocando em risco a saúde de pacientes iludidos com falsas promessas.

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