Médicos de diferentes especialidades e acadêmicos de Medicina participaram, no sábado (8), do II Fórum de Cardiologia para Clínicos, promovido pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego). Realizado na sede do Cremego, das 8h às 12h30 o encontro discutiu atualizações nas diretrizes para diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares, além do atendimento a pacientes cardiopatas nos prontos-socorros.
Na abertura, o presidente do Cremego, Rafael Martinez, falou sobre o trabalho do Conselho, destacando as atribuições legais da instituição e apresentando iniciativas em desenvolvimento, entre elas projetos voltados ao cuidado com os próprios médicos, como o “Cuidar de Quem Cuida”, e ações de educação financeira, além das atividades educativas, como o Fórum de Cardiologia para Clínicos que está na segunda edição.
Atualização
O principal eixo do fórum foi a atualização das condutas na cardiologia, com a proposta de levar as novas recomendações da prática a médicos que atuam na clínica e na emergência. Na abordagem da hipertensão arterial, a médica Sayuri Inuzuka apresentou mudanças nas diretrizes, incluindo a nova classificação da chamada pré-hipertensão, alterações nas estratégias de tratamento e a incorporação de novas classes de medicamentos.
A especialista também chamou atenção para situações específicas, como o acompanhamento de gestantes. Outro ponto destacado foi o uso de relógios e dispositivos para monitoramento da pressão arterial: apesar da popularização desses equipamentos, seu uso para esse fim ainda não é indicado como método estabelecido para controle da hipertensão.
A insuficiência cardíaca, apontada como um dos grandes desafios da cardiologia, também esteve entre os temas centrais. O médico Douglas Valiati Bridi falou sobre o diagnóstico e tratamento da doença. Um dos sinais de alerta ressaltados foi a falta de ar progressiva, que deve levar à investigação de possível insuficiência cardíaca.
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O fórum também reforçou que o clínico não precisa “se transformar em cardiologista”, mas deve estar preparado para reconhecer situações que exigem investigação ou encaminhamento. A médica Francine Moreira Borges Assunção abordou a avaliação da valvopatia e destacou a importância de conhecer os recursos diagnósticos disponíveis, como radiografia de tórax, eletrocardiograma e exames laboratoriais.
A atualização alcançou ainda os métodos de diagnóstico. Donaldy Sampaio, conselheiro do Cremego e coordenador do fórum, discutiu a avaliação do paciente na emergência e uma abordagem prática no pronto-socorro. Bruno Galafassi Ghini falou sobre o emprego de exames de medicina nuclear no diagnóstico e no acompanhamento das doenças cardíacas.
Leonardo Sara abordou o papel da tomografia computadorizada e da ressonância magnética cardíaca, incluindo o escore de cálcio, as indicações em pacientes sintomáticos e assintomáticos, o valor prognóstico e as limitações técnicas desses exames de imagem.
O ecocardiograma transesofágico foi tema da apresentação do médico Cloves Geraldino da Silva Júnior, que destacou indicações, contraindicações e a necessidade de atenção à sedação para a realização do exame minimamente invasivo.
Emergência
Na emergência, a médica Anna Luiza Souza discutiu a abordagem da dor torácica, ressaltando a importância da agilidade na avaliação e das atualizações nos exames utilizados para investigação. O médico Alessandro Felipe Arantes enfocou as arritmias no pronto-socorro, e a médica Caroline Consuelo De Sousa abordou o edema agudo de pulmão e as crises hipertensivas, situações que exigem reconhecimento rápido e conduta adequada.
A importância da atividade física também entrou na programação, em apresentação do médico Alberto Las Casas Júnior, que, inclusive, chegou ao evento após correr 18 quilômetros, associando à própria experiência a defesa da prática regular de exercícios como parte da prevenção cardiovascular.
Finalizando a manhã de apresentações e debates, Donaldy Sampaio falou sobre insuficiência cardíaca descompensada. O objetivo do encontro, como ressaltaram os palestrantes, foi apresentar a não especialistas em cardiologia situações que fazem parte das rotinas de prontos-socorros e também chegam aos consultórios de outras especialidades. A proposta foi atualizar o clínico para reconhecer precocemente os sinais de gravidade, solicitar os exames de forma adequada e iniciar ou direcionar o tratamento conforme as evidências mais recentes.
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