A importância de compreender as crenças, os sentimentos e as necessidades espirituais dos pacientes, assim como as ferramentas disponíveis para essa avaliação, foi tema da segunda reunião científica da Comissão de Espiritualidade do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), realizada na terça-feira, 13 de outubro, em formato online.
O encontro contou com a participação do presidente do Cremego, Rafael Martinez, dos conselheiros Larissa Roriz e Ricardo Borges, dos médicos membros da Comissão, Artur Souza, Luciana Pineli e Ana Paula Vecchi, e de médicos e acadêmicos de Medicina interessados no tema.
Os participantes deram continuidade aos estudos sobre espiritualidade e saúde, com a leitura e discussão do artigo “Espiritualidade: do conceito à anamnese espiritual e escalas para avaliação”, publicado em 2020 na Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.
Ana Paula Vecchi explicou que a escolha do artigo teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a anamnese espiritual e sua aplicação no atendimento médico. Segundo ela, essa abordagem vai muito além de perguntas sobre religião. Busca compreender as crenças, os sentimentos e a maneira como o paciente enfrenta o adoecimento, sempre respeitando sua liberdade de compartilhar suas experiências.
Ela exemplificou que perguntas como “quais são suas fontes de esperança, conforto e paz?” ajudam a identificar necessidades espirituais que nem sempre aparecem espontaneamente durante a consulta.
Nesse processo, o médico conta com instrumentos, como o questionário HOPE, ferramenta que o auxilia na avaliação espiritual do paciente, ajudando a identificar fontes de esperança e conforto, participação em organizações religiosas, práticas espirituais pessoais e possíveis influências das crenças sobre o tratamento.
Durante o debate, o presidente Rafael Martinez destacou que a espiritualidade é um tema cada vez mais presente no cotidiano médico. Segundo ele, o Cremego quer mostrar aos profissionais que considerar a esperança, a fé e as crenças dos pacientes, respeitando sua autonomia, é compatível com a ética médica e pode contribuir para o cuidado.
O conselheiro Ricardo Borges ressaltou a importância de o médico demonstrar compreensão diante do sofrimento do paciente, fortalecendo o vínculo e a confiança na relação médico-paciente.
Os participantes destacaram ainda que a abordagem espiritual deve respeitar as crenças e escolhas individuais, sem qualquer imposição religiosa. Diante de conflitos ou necessidades específicas, o médico pode buscar o apoio de profissionais capacitados ou de integrantes da comunidade do paciente.
A leitura e a discussão do artigo serão retomadas na próxima reunião científica da Comissão de Espiritualidade do Cremego, dando continuidade aos estudos sobre a integração da espiritualidade à prática médica. Em breve, o Cremego também deve promover uma nova reunião presencial sobre o tema.
Para saber mais, confira também o I Fórum de Espiritualidade do Cremego, disponível na plataforma Entre Médicos (https://entremedicos.cremego.org.br/) e o podcast sobre o assunto, nos canais do Cremego no Youtube e no Spotify