Cada vez mais reconhecida na medicina moderna, a espiritualidade se tornou parte dos debates no Cremego
Na manhã do sábado (7 de março), o Cremego e a Comissão de Saúde e Espiritualidade, com patrocínio da Unimed Goiânia e do Sicoob UniCentro Br, realizou o I Fórum de Saúde e Espiritualidade, que contou com a presença de médicos, profissionais de diversas áreas, conselheiros, pacientes e sociedade em geral.
“O ser humano não é somente um conjunto de células e parâmetros laboratoriais, também envolve sentimentos, valores e sentidos de vida. Quando a doença chega, ela transcende o biológico”, destacou o presidente do Cremego, Rafael Martinez, na abertura do evento.
A 2° vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Rosylane Rocha, abriu o ciclo de palestras. Ela destacou que estudos já demonstram desfechos mais favoráveis com o apoio espiritual, sendo parte dos cuidados integrais da saúde.
“Os dados mostram que, sim, é preciso que os médicos trabalhem a espiritualidade com seus pacientes. Como? É nisso que estamos trabalhando no CFM para gerar orientações técnicas”, afirmou.
“Aquilo que faz parte do roteiro de vida do paciente interfere se ele irá seguir ou não as recomendações médicas”, acrescentou a médica infectologista e acupunturista Luciana Leite Simões.
Em sua palestra, ela mostrou o quanto a população deseja a abordagem de espiritualidade nos cuidados com a saúde.
“A espiritualidade é uma forma de enfrentamento (em casos de doenças graves), seja de maneira positiva ou negativa. Porém, ajuda na ressignificação da dor”, observou.
No entanto, ainda há receio de abordar o assunto com os pacientes, como apontou a médica reumatologista pediátrica Ana Paula Vecchi. A pressão para realizar consultas rápidas e o medo de ser invasivo são alguns dos motivos.
Por isso, existe a anamnese espiritual, com um conjunto de perguntas sobre valores e crenças. O melhor momento para realizá-la seria na avaliação da história social ou em uma internação prolongada.
“É preciso esclarecer o que é a espiritualidade, pois acredito que é a ferramenta do futuro”, afirmou.
Saúde cardiovascular
A espiritualidade também impacta na saúde cardiovascular, por exemplo, com o manejo do estresse e de outras condições psíquicas. O médico cirurgião cardiovascular Artur Henrique de Souza ministrou uma palestra a respeito do que a ciência já identificou sobre o assunto.
Momentos de estresse agudo, como a chamada “Síndrome do Coração Partido”, é um dos casos mais falados sobre a interferência dos sentimentos na função cardíaca. “A abordagem adequada não exige que o médico seja um conselheiro espiritual, mas um profissional empático”, definiu.
A consciência é outro aspecto humano que sofre interferência, como relatou o médico anestesiologista Satyaki Afonso Navinchandra. “O cérebro é criador ou receptor da consciência?” , questionou o especialista aos participantes, descrevendo resultados de estudos que revelam a captação cerebral em momentos de parada cardíaca.
“A ciência empírica mostra que a consciência sobrevive a alguns fatores biológicos”, resumiu.
Ao final do I Fórum de Saúde e Espiritualidade do Cremego, os palestrantes, com coordenação do médico oftalmologista Alexandre Taleb, realizaram uma mesa-redonda e responderam aos questionamentos do público.
Ele destacou que as tecnologias inseridas na medicina não devem representar um afastamento entre médico e paciente. “Temos a condição de criar uma relação verdadeira e real, com empatia. Isso também gera efeitos no cuidado com a espiritualidade do paciente. Ao respeitar a crença e induzir no paciente a noção de que a fé é bem-vinda, podemos, mesmo que virtualmente, potencializar o cuidado centrado no paciente”, afirmou Taleb, que atua com telemedicina
Novos eventos da Comissão de Saúde e Espiritualidade, criada pelo Cremego, serão organizados. Acompanhe o cronograma do Conselho para saber mais.