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O Divulga CFM, projeto do Conselho Federal de Medicina (CFM) que percorre os Conselhos Regionais para apresentar e debater resoluções que impactam a classe médica e a sociedade, chegou a Goiás com um tema especialmente atual: o ensino médico no país. Nos dias 16 e 17 de julho, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) recebeu o projeto para a apresentação da Resolução CFM nº 2.434/2025.

A norma, que entrou em vigor em outubro de 2025, mas foi parcialmente suspensa por decisão judicial, estabelece diretrizes sobre a responsabilidade técnica e ética, a fiscalização e o cadastro dos coordenadores de cursos de medicina e de seus campos de estágio. O conselheiro federal pelo Estado do Paraná, Alcindo Cerci Neto, coordenador da Comissão de Ensino Médico do CFM, foi o responsável por detalhar a resolução aos participantes.

Os encontros ocorreram em dois momentos. No dia 16, foram realizadas reuniões internas com diretores e conselheiros do Cremego, integrantes da Comissão de Ensino Médico do Regional e coordenadores de cursos de medicina em Goiás. No dia 17, a reunião foi aberta também a acadêmicos e representantes das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde de Goiânia e da Câmara Municipal da capital.

Relator da resolução, Alcindo Cerci Neto explicou que a elaboração da norma foi motivada pela necessidade de acompanhar mais de perto a formação dos novos médicos. Segundo ele, nos últimos 14 anos houve um aumento de 170% no número de escolas de medicina no Brasil, sem que a qualidade da formação acompanhasse esse crescimento.

Sem competência legal para fiscalizar o ensino médico e preocupado com a formação dos futuros profissionais, o CFM identificou a possibilidade de atuar em um ponto comum à graduação, à pós-graduação e à residência médica: os campos de estágio.

É justamente nesse aspecto que a Resolução CFM nº 2.434/2025 concentra sua atuação, ao definir a responsabilidade técnica e ética, os deveres e as prerrogativas dos coordenadores dos cursos de medicina e dos campos de estágio curriculares. A expectativa é que a aplicação da norma, aliada ao trabalho permanente das Comissões de Ensino Médico dos Conselhos Regionais de Medicina, responsáveis, por exemplo, por identificar deficiências, atuar como canal de escuta, propor melhorias e orientar os coordenadores, contribua para a construção de um novo cenário para a formação médica no país.
Alcindo Cerci Neto classificou o cenário atual como “um ciclo perverso” para os estudantes. Muitos ingressam em faculdades particulares, responsáveis por cerca de 80% das escolas médicas brasileiras; não recebem formação adequada, inclusive pela insuficiência de campos de estágio; concluem o curso com uma dívida que pode chegar a R$ 700 mil; não conseguem vagas em programas de residência médica, cuja oferta não acompanhou o crescimento das vagas na graduação; e, ao ingressarem em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, ainda enfrentam baixa remuneração e inadimplência por parte de contratantes.

Muitos recém-formados buscam a pós-graduação, mas essa modalidade de formação não lhes garante o título de especialista nem a melhoria da remuneração normalmente associada à especialidade. “O CFM precisava fazer algo nesse contexto da formação, e foi aí que surgiu a resolução”, afirmou o relator.

O presidente em exercício do Cremego, Vagner Gil, destacou que o Regional já estava atento à questão do ensino médico e tem se aproximado das faculdades com o objetivo de contribuir para a melhoria da formação dos médicos em Goiás. O Cremego foi um dos pioneiros na criação de uma Comissão de Ensino Médico. Vagner Gil ressaltou que a realização do Divulga CFM no Regional contribuirá para ampliar o diálogo do Conselho com as coordenações dos cursos de medicina e o trabalho em prol da melhoria contínua da formação de novos médicos. “Essa será uma ação permanente”, disse.

Para conferir o conteúdo completo da reunião do dia 17, clique aqui.

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