O Cremego realizou um minissimpósio sobre suicídio, em comemoração à campanha Setembro Amarelo, de valorização da vida. O evento contou com diversos profissionais da área de saúde mental e foi transmitido pelo Facebook do Conselho, no último domingo (20).

O primeiro participante foi o psiquiatra Thiago Cézar da Fonseca. Ele iniciou sua fala abordando as três principais características do comportamento suicida: a ambivalência, a impulsividade e a inflexibilidade. Assim, a pessoa com a ideação suicida nem sempre tem certeza de que quer tirar a própria vida, mas a impulsividade após um momento estressante a leva ao ato, além de não conseguir ver uma outra solução para o problema.

O especialista também mostrou as consequências da pandemia de Covid-19 nos casos de transtornos psiquiátricos e suicídio. Ele apresentou estudos que mostraram essas consequências em outras crises sanitárias. “Em 2003, na epidemia da Sars, no Canadá, 15 mil pessoas ficaram isoladas. O que foi visto foi que o isolamento com uma doença que pode causar a morte é fator estressor suficiente para desenvolver Transtorno de Estresse Pós-traumático”.

A psiquiatra com atuação em Psiquiatria da Infância e Adolescência, Andiara Rodrigues foi a responsável por tratar sobre o suicídio nessas faixas etárias. De acordo com ela, a ideação suicida pode não ser tão clara nos jovens, mas é preciso ter atenção a alguns aspectos, como as crianças que se expõem a muitos riscos (e se machucam com eles) e aquelas que começam a doar seus objetos, como os brinquedos preferidos.

Assim como com os adultos, conversar é a abordagem necessária, mas da maneira correta. “É importante falar com a criança, pois abordar o assunto pode aliviar a culpa dela por ter esses pensamentos. Porém, não é certo dizer coisas como ‘você tem uma vida ótima’. Isso irá aumentar a culpa. Afinal, o sofrimento dela a gente não consegue estimar”.

Para finalizar o evento, a psicóloga Célia Maria Teixeira, que atua na área de perdas, luto e comportamento suicida, falou sobre a importância da posvenção, ou seja, do cuidado com as pessoas que foram impactadas pelo suicídio de alguém. Esse grupo não envolve apenas a família, mas também colegas de trabalho, escola e até pessoas que não conheciam a vítima, mas que souberam do caso.

Ela afirmou que é importante que essas pessoas falem sobre seus sentimentos, mesmo que eles causem constrangimento, como no caso da raiva. Também é necessário oferecer apoio para lidar com a culpa e a sensação de responsabilidade. “É preciso não superestimar o fato da pessoa ter se matado, mas lembrar o que de mais vivo habitava na pessoa”, finalizou.

Confira o minissimpósio na íntegra pelo Youtube:https://www.youtube.com/watch?v=YZ9Oc5jlsog

 

(Matéria aprovada pelo 1º Secretário/Cremego 21/09/20)

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