O presidente do Cremego, Erso Guimarães, participou entre os dias 19 e 21 de março do I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina de 2014 (I ENCM 2014), realizado em João Pessoa (PB). O Cremego foi ainda representando pelo 1º tesoureiro Rômulo Sales de Andrade e pelo conselheiro Salomão Rodrigues Filho. O vice-presidente do Cremego e conselheiro federal, Aldair Novato Silva também participou do evento.
Promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), com apoio do Conselho Regional de Medicina da Paraíba e a participação de conselheiros e médicos de todo o País, o encontro debateu temas, como eleições 2014, ensino médico, estratégia para o atendimento médico em situação de catástrofe durante a Copa do Mundo, trabalho médico no SUS, entre outros assuntos relacionados ao movimento médico.
A fiscalização dos serviços médicos pelos CRMs foi outro tema debatido no encontro, que focou a aplicação das Resoluções 2056 e 2062/2013, que tratam desta fiscalização. As novas resoluções entram em vigor em maio próximo.
Saiba mais sobre o encontro:
I ENCM 2014: Debates promovem reflexão sobre ensino, fiscalização e trabalho médico
Temas importantes da área da saúde estão em discussão, em João Pessoa, durante o I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina de 2014 (I ENCM 2014). O evento, que reúne cerca de 250 médicos, prossegue até a sexta-feira (21), no hotel Tambaú. Logo na abertura do evento, na quarta-feira (19), o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz d’Avila, lembrou a gravidade do momento atual para a saúde e o exercício da profissão no país. “Em tempos difíceis temos que estar preparados para os desafios. É isso que estamos fazendo: discutindo, planejando e cuidando de nossas estratégias”, afirmou o presidente do CFM, Roberto D’Ávila.
Na solenidade que marcou o início dos trabalhos, falou-se sobre o impacto danoso da política sobre a atividade médica. Um dos convidados, o senador Cássio Cunha Lima, lembrou os equívocos do Palácio do Planalto, por exemplo, nos vetos feitos à Lei do Ato Médico. “Infelizmente, o ‘bisturi desastroso’ da presidente Dilma Rousseff vetou o Ato Médico, após anos de reflexão da categoria. Mas encontros como esse são importantes para uma análise profunda sobre os destinos do país”, destacou.
Com ele, participaram da abertura o presidente do CRM-PB, João Medeiros Filho; a secretária adjunta de Saúde de João Pessoa, Bárbara Soares Pereira; o secretário de Saúde de Pernambuco, Antônio Carlos Figueira; o presidente da Federação Brasileira das Academias de Medicina, José Leite Saraiva; o presidente da Academia Paraibana de Medicina, José Eymard Medeiros; o conselheiro federal pela Paraíba, Dalvélio Madruga; e o diretor do Centro de Ciências Médicas da UFPB, Eduardo Sérgio Sousa.
Abordagem holística – Como o anfitrião do I ENCM, o presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Medeiros Filho, destacou a importância da reflexão sobre a profissão médica e a qualidade no atendimento médico. “A Medicina é uma forma única de relacionamento, entre o abstrato e o concreto, entre a ciência e a humanidade. Temos que ter uma abordagem holística do homem e acabar com a base mercantilista da Medicina”, destacou, acrescentando que o evento vai discutir, entre outros pontos, as Eleições 2014, estratégia para o atendimento médico em situação de catástrofe na Copa do Mundo, trabalho médico no SUS, fiscalizações e formação médica.
Após as boas-vindas aos participantes, o médico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Aníbal Gil Lopes, fez uma conferência sobre o tema A Filosofia da Medicina, durante a qual lembrou o papel do cuidado com os pacientes. “Quando o aluno sai da faculdade, o quanto ele sabe cuidar? Os médicos, hoje em dia, são técnicos que sabem usar uma metodologia. Temos médicos bem formados, mas que não sabem cuidar do cotidiano das pessoas”, alertou. Lopes ressaltou o dever de a categoria refletir sobre este contexto.
“A educação deixou de ser um processo de conhecimento para ser um treinamento. Nunca refletimos. É nesse contexto que os conselhos federal e regionais cumprem sua tarefa e se tornam instrumentos de reflexão, de tomada de atitude e ações. Os conselhos fazem com que a prática médica seja revertida dos seus valores fundamentais: o cuidado, a verdade e a humanidade”, completou.
Ensino e fiscalização – O primeiro dia do evento continuou durante a tarde, com realização de mesas onde houve debates e apresentações sobre diferentes temas, como a avaliação do ensino médico, com a participação de diretores do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de representantes dos Conselhos Regionais dos Estados do Rio de Janeiro (Cremerj) e de São Paulo (Cremesp).
Outra mesa se dedicou a discussões focalizadas na aplicação das novas resoluções 2056 e 2062/2013, que tratam sobre a fiscalização pelos conselhos de medicina (CRM). Participaram do debate o diretor de Fiscalização do CFM e 3º vice-presidente, Emmanuel Fortes, e o diretor de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB), Eurípedes Sebastião Mendonça.
Na quinta-feira (20), o tema da fiscalização retornará à pauta do I ENCM, quando serão avaliados os parâmetros para a atuação das equipes médicas na Copa do Mundo e a infraestrutura mínima para funcionamento dos serviços de atendimento nos estádios e outras arenas esportivas.
A mesa será coordenada pelo 3º vice-presidente, Emmanuel Fortes. Ainda contribuirão nas apresentações sobre o tema o que fazer em situação de catástrofe (atendimento nos estádios e suporte nos hospitais o conselheiro Hermann Alexandre Von Tiesenhausen (representante de Minas Gerais no CFM), o diretor do Centro Materno-Infantil Norte/Centro Hospitalar do Porto – Portugal, Antônio Marques, e o preceptor de Medicina do Esporte HCFMUSP, Leonardo Kenji Hirao.
Ultimo dia – O I ENCM2014 termina nesta sexta-feira (21), com outra participação internacional. O bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal, José Manuel Silva, proferirá uma conferência aos participantes. A apresentação abordará o tema formação médica na prevenção, tratamento de doenças e na promoção da saúde. Na sequência, haverá uma mesa redonda sobre o trabalho médico no SUS, com as contribuições dos conselheiros Dalvélio de Paiva Madruga (representante da Paraíba no CFM e 2º tesoureiro da entidade), Henrique Batista e Silva (representante de Sergipe e secretário geral) e Desiré Carlos Callegari (representante de São Paulo e 1º secretário). O presidente do CRM da Bahia, José Abelardo Garcia de Meneses.
Uma discussão sobre as estratégias do movimento médico e a conscientização da sociedade frente ao pleito encerrará os debates do I ENCM 2014. Participam da discussão o presidente do CFM, Roberto Luiz d´Avila; 1º e 2º vice-presidentes, Carlos Vital Tavares Corrêa Lima e Aloísio Tibiriçá Miranda, respectivamente; além do presidente do CRM-PB, João Gonçalves de Medeiros Filho.
I ENCM 2014: Brasil multiplica número de escolas médicas e a qualidade no atendimento é ameaçada
Do início dos anos 2000 até 2014, a quantidade de faculdades de Medicina no país dobrou. Atualmente, o país possui 216 escolas, número superior à China (150) e Estados Unidos (149), países com população maior que a brasileira. No Brasil, esse crescimento se deve às faculdades particulares, que já são 60% do total. A cada ano, são formados no Brasil, mais de 19 mil médicos. Na Paraíba, o número dessas faculdades é superior a outros Estados com maior população. São sete escolas de Medicina, sendo três federais e quatro particulares.
“Infelizmente, o que temos visto são faculdades desqualificadas, com corpo docente despreparado, algumas não possuem nem hospital escola. Isso resulta em médicos mau formados, o que compromete a qualidade do atendimento”, ressaltou o médico Renato Graça, do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), durante o debate que avaliou o Ensino Médico, na manhã de quarta-feira (19), em João Pessoa, no I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina 2014.
O médico Bráulio Luna Filho, do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), mostrou os dados da avaliação obrigatória no Estado, feita com os egressos das faculdades de Medicina. No último exame, em 2013, 60% dos médicos recém-formados foram reprovados na avaliação. Se tomarmos apenas as faculdades particulares de São Paulo, os reprovados chegam a 71%. “O indivíduo mau treinado, vai ser mau médico por toda a vida. É a saúde da população que está em risco e não podemos ser omissos. Infelizmente, quem pode pagar a mensalidade de uma faculdade de Medicina vira médico. Isso não é justo”, afirmou Bráulio, que é o coordenador do exame.
Apesar da baixa aprovação na prova, o médico explicou que o exame não é difícil e que avalia aquilo que se espera de um médico recém-formado. “O Governo Federal se omite nessas questões, permitindo a abertura indiscriminada de escolas de Medicina e não fiscalizando o seu exercício. Mas nós médicos temos que zelar pela nossa profissão e a qualidade do ensino”, completou. Apesar da experiência conduzida em São Paulo, os CRMs e o CFM ainda não fecharam consenso acerca da melhor forma de avaliar os egressos das escolas de medicina.
Além da proposta do exame de fim de curso, conforme defendido pelo Cremesp, há outra em tela, que prevê a realização de testes de progresso, ao longo do processo de formação dos futuros médicos. As provas que seriam aplicadas no segundo, quarto e sexto anos permitiriam conhecer a qualidade dos estudantes e também do aparelho formador (instalações, corpo docente, conteúdo programático, etc.). Renato Graça, do Cremerj, acredita que este modelo teria condições de oferecer melhores resultados.
O tema continua em análise junto às entidades, mas há consenso com respeito à necessidade de implementar medidas que permitam esse monitoramento da formação dos egressos. “Temos que avaliar os alunos e as instituições de ensino médico do nosso país. Essa tem sido uma preocupação constante das entidades médicas. Temos que mudar essa base mercantilista de grande parte das faculdades de Medicina”, completou o presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Medeiros.
Debates abordaram problemas que afetam o trabalho Médico no Brasil e Portugal
Outro debate relevante no último dia do I ENCM foi uma análise sobre os problemas que afetam o trabalho médico no Sistema Único de Saúde (SUS). A mesa contou com as exposições do presidente do Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), Abelardo Meneses, e do 1o secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), Desiré Carlos Callegari. Ambos se desdobraram para destacar os percalços que afetam os profissionais que atendem o setor público.
Abelardo Meneses usou como exemplo a situação caótica dos hospitais públicos da Bahia e do trabalho atuante do departamento de Fiscalização do Cremeb. “Temos uma parceria com o Ministério Público e, no ano passado, foram instauradas nove ações civis públicas contra o Governo do Estado. Infelizmente, a saúde na Bahia está enfrentando um verdadeiro caos”, disse o presidente, apresentando fotos das unidades de saúde fiscalizadas, que refletem o cenário de descaso.
Desiré Callegari apresentou a situação dos hospitais conveniados com o SUS, mostrando a importância das unidades sem fins lucrativos e que prestam assistência gratuita à população, como as Santas Casas. “Essas instituições são muito importantes para os usuários do SUS e contribuem de forma significativa. Mesmo assim, a saúde continua no caos, com a quantidade de leitos diminuindo”, disse, acrescentando que, nos últimos sete anos, o país perdeu 15 mil leitos.
Saúde em Portugal – O bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal (OMP), José Manuel Silva, também foi um dos conferencistas do último dia do I ENCM. Em sua explanação,ressaltou que a qualidade da saúde em seu país também está em risco. “Cerca da metade dos jovens médicos que estão se formando em Portugal estão migrando para países que pagam mais e oferecem melhor qualidade de trabalho”, afirmou.
Segundo ele, Portugal possuía um dos melhores sistema de saúde do mundo, com baixa taxa de mortalidade infantil, excelentes profissionais, formação médica adequada e investimento. No entanto, conforme relatou, o orçamento geral português vem sofrendo restrições, principalmente na saúde. “Com isso, estamos enfrentando superlotação nos hospitais, falta de medicamentos e profissionais e crise nas urgências e emergências. Nós, médicos, não podemos aceitar isso. É nossa obrigação ética lutar contra esta situação”, afirmou. “Sem recursos financeiros, técnicos e médicos não há a verdadeira humanização da saúde”, concluiu.
I ENCM 2014: Novo sistema de fiscalização revelará situação real da saúde brasileira
Os participantes do I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina de 2014 acompanharam uma demonstração online que explicou como funciona o sistema informatizado de fiscalização, recentemente lançado pelo Conselho Federal de Medicina. Com ajuda de representantes do grupo que o concebeu, foi possível visualizar a forma como o aplicativo poderá ser utilizado. O 3º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes Cavalcante, e o diretor de Fiscalização do CRM-PB, Eurípedes Mendonça, participaram da apresentação.
De acordo com as regras que dão suporte ao novo sistema, com a aplicação das Resoluções do CFM 2056 e 2062/2013, que dispõem sobre o processo de fiscalização e interdições, haverá um processo único de inspeção às unidades de saúde em todo o país. Através desse aplicativo, os conselhos federal e regional terão relatórios e estatísticas sobre a real situação dos estabelecimentos de saúde. A previsão do CFM é que até o fim do primeiro semestre todos os CRMs já estejam capacitados e o sistema em funcionamento pleno.
“Para que tenhamos essa unidade nas informações, é preciso que cada CRM conheça essas Resoluções, que foram pensadas como um conjunto de informações para a segurança do exercício da Medicina. Além disso, com esse novo sistema, teremos uma noção completa da estrutura de saúde no Brasil. Desta forma, poderemos cobrar das autoridades e dos responsáveis pelas unidades de saúde”, destacou o 3o vice-presidente e coordenador do Departamento de Fiscalização do CFM, Emmanuel Fortes Cavalcanti.
O diretor do Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), Eurípedes Mendonça, foi o responsável por mostrar a prática da fiscalização. Ele falou dos desafios, do planejamento e das metas alcançadas com as fiscalizações. Em 2013, na Paraíba, foram realizadas 350 fiscalizações, superando a meta de 260.
“Com o novo sistema, teremos inúmeras vantagens, como a otimização do tempo. A elaboração do relatório de fiscalização, por exemplo, uma das partes mais demoradas do processo, será finalizado junto com a fiscalização, com fotografias, e imediatamente será enviado para o Conselho Federal. Isso é fantástico”, comemorou Eurípedes.
O analista de TI do CFM, Gleidson Porto, que também colaborou com a apresentação, apresentou de forma prática o sistema de fiscalização. Ele ressaltou os elementos que compõem o kit (tablet, medidor a laser, máquina fotográfica e impressora portátil) e mostrou os módulos que compõem o aplicativo. “As informações de todas as fiscalizações feitas no país ficaram ‘em nuvem’. O histórico dessas informações possibilita a elaboração de resultados e estatísticas”, frisou.
Estrutura de atendimento durante a Copa do Mundo preocupa Conselhos de Medicina
A infraestrutura para o atendimento aos atletas e torcedores durante a próxima Copa do Mundo ocupou o centro do debate no segundo dia do Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina (I ENCM 2014), em João Pessoa. Os médicos se mostraram preocupados com os riscos decorrentes da falta de preparo de algumas cidades-sede para abrigar a competição. Após a mesa durante a qual o tema foi discutido, conselheiros de diversos Estados ressaltaram que as unidades de saúde não teriam condições de atender os pacientes em caso de catástrofe.
Diante deste cenário, o 3o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Emmanuel Fortes, que coordenou a discussão sobre o tema, destacou a relevância da Resolução do CFM 2012/2013, que traz orientações sobre segurança ao público e aos atletas. A norma, aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) no ano passado, chega a apontar a infraestrutura mínima de equipamentos necessários para dar assistência em casos de urgência e emergência.
Cadastramento – A Resolução 2012/2013 dispõe ainda sobre a necessidade de que os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) autorizem previamente os médicos que integram as comitivas das seleções participantes a atuarem durante a competição. Sem esse cadastramento, esses profissionais poderão ter sua ação limitada no país. O CFM já reiterou junto às entidades desportivas e ao Ministério do Esporte a importância de observar todos os pontos da regra para garantir maior segurança aos torcedores, aos jogadores e aos profissionais.
O debate sobre o tema “Copa do Mundo: o que fazer em situação de catástrofe” teve início com a apresentação do Diretor do Centro Materno-Infantil Norte do Porto, em Portugal, Antônio Marques. Ele mostrou a importância sobre treinamentos, testes e simulações antes da realização de grandes eventos. “Nós médicos somos partes de um todo. É preciso trabalhar em equipe e é necessário que estejamos preparados tanto para a Copa do Mundo quanto para outros grandes eventos”, disse o médico.
Em seguida, o médico do Esporte e preceptor de Medicina do Esporte do Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Leonardo Kenji Hirao, fez uma síntese do que o comitê organizador já preparou para os serviços médicos e de segurança durante a Copa do Mundo. Segundo ele, o planejamento envolver as 12 cidades-sede, incluindo estádios, centros de treinamento, hotéis oficiais e entorno dos locais dos jogos. Emmanuel Fortes lembrou a responsabilidade dos CRMs em fiscalizar o cumprimento dos pontos previstos na Resolução 2012/2013, o que deverá acontecer nas próximas semanas.
Cinema – Também no segundo dia do I ENCM 2014 houve uma reflexão sobre a humanização no atendimento médico, através da análise de filmes consagrados no cinema mundial. O diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina da Família, Pablo Gonzáles Blasco, um admirador da Sétima Arte, mostrou através de trechos de filmes a importância da humanização para a qualidade do atendimento médico.
“A minha proposta é desenharmos uma programação de formação continuada para os médicos formadores de opinião, como coordenadoras de cursos médicos, coordenadores de residência e tutores”, destacou Blasco, acrescentando que estes médicos que atuam na linha de frente, seriam os responsáveis pela disseminação desse conhecimento.
Reflexão sobre as eleições de 2014 marcou encerramento do I ENCM, em João Pessoa
O descaso com o Sistema Único de Saúde (SUS), o subfinanciamento do setor e a importância da conscientização da população sobre esses problemas antes das eleições deste ano foram os principais temas discutidos no último dia do I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina 2014 (I ENCM), em João Pessoa. O evento foi encerrado com um grande debate entre os conselheiros, que expuseram suas preocupações diante da proximidade das eleições e da necessidade da mudança na política brasileira, com a valorização do trabalho médico e a implantação de um sistema de saúde adequado à população.
“O mais importante deste encontro foi a participação de todos, que saíram motivados a mudar a nossa realidade e transformar o nosso país em um lugar melhor e mais justo”, ressaltou o o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luís D’Ávila, que elogiou o evento organizado com o apoio do Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB).
O presidente do CRM-PB, João Medeiros, agradeceu a confiança do CFM e destacou que as palestras e debates foram muito produtivos para o engrandecimento do trabalho médico. “Quero ainda reforçar o nosso papel como médicos, como formadores de opinião. Nós podemos e devemos informar aos nossos pacientes sobre o caos da saúde pública. Encerro esse evento com a tranquilidade do dever cumprido e de braços abertos para recebê-los novamente”, disse.
Panorama – O debate sobre “Eleições 2014: Movimento médico, estratégias e conscientização da sociedade” foi coordenado por Roberto D’Ávila e teve João Medeiros como secretário. Os expositores foram Carlos Vital (1o vice-presidente do CFM) e Aloísio Tibiriçá (2o vice-presidente do CFM). Vital apresentou um panorama da realidade brasileira, enfatizando o descaso com o SUS, o subfinanciamento da saúde, além dos demais problemas do país, como redução do PIB, ineficiência do transporte, da segurança e da educação. “Estamos vivendo um momento de desastrosa administração pública”, afirmou o 1o vice-presidente.
“Mas as razões da nossa esperança é que estamos em um ano político, que merece ser chamado de ‘ano novo’. As eleições trazem incertezas e anseios, por isso temos que ser objetivos e ousados. Precisamos desempenhar nosso papel e buscarmos a dignidade do nosso trabalho, pois temos a responsabilidade da manutenção da vida”, encerrou Vital.
Protesto – O 2o vice-presidente do CFM, Aloísio Tibiriçá, destacou aspectos da estratégia de ação desenhada pelos CRMs para este período. As propostas foram elencadas durante reunião realizada em janeiro. Tibiriça reforçou que é preciso uma atuação conjunta das entidades médicas quanto à elaboração de uma plataforma dos médicos em defesa da saúde brasileira, dirigida aos candidatos das próximas eleições. “A partir de abril vamos iniciar mobilizações dos médicos. Temos que reforçar as fiscalizações e divulgar os resultados, buscar parcerias complementares e potencializar nossa comunicação”, disse.
Ele destacou ainda que no Dia Mundial da Saúde, 7 de abril, será uma data de advertência e protestos contra os planos de saúde. As atividades serão prolongadas durante uma semana e, no dia 8, haverá na Câmara dos Deputados um debate sobre o financiamento da saúde. “Queremos que o Dia Mundial da Saúde ecoe por todo o país”, afirmou.
O último dia do encontro contou também com a presença do senador paraibano e médico Vital do Rêgo e da deputada federal Nilda Gondim. “A profissão médica precisa ser mais valorizada. Ano passado não foi fácil para a categoria, mas o CFM e o CRM da Paraíba podem estar certos que podem contar com um médico no Congresso Nacional”, disse.
Literatura médica ganha importante marco na atualização e reciclagem de profissionais de medicina em todo o país
A medicina brasileira acaba de ganhar um novo patrimônio: trata-se da coleção Clínica Médica: Diagnóstico e Tratamento, composta de seis volumes, que traz abrangente atualização de todas as áreas da medicina. A obra, cuja coordenação geral é do professor dr. Antonio Carlos Lopes, diretor da Escola Paulista de Medicina, tem a participação de 41 coordenadores e 756 colaboradores (lista completa abaixo), todos renomados nomes da medicina do país nas mais variadas especialidades.
A proposta da publicação é inédita no Brasil, com abrangência jamais verificada em língua portuguesa. Por isso já é vista no universo da medicina como referência obrigatória tanto para os acadêmicos quanto para a reciclagem de médicos das diversas especialidades.
“O livro envolveu colegas de vários estados, de várias Universidades, e não foram poupados esforços, nem da editora Atheneu, nem dos demais envolvidos no projeto, para que fosse concretizado da maneira como havíamos idealizado. É a obra mais ousada e importante que temos no Brasil para a reciclagem de conhecimentos científicos.”
No papel de coordenador geral, o prof. Dr. Antonio Carlos Lopes participou ativamente de todas as etapas, desde a elaboração do conteúdo programático, indicação dos coordenadores e acompanhamento da definição de todos os autores, até o processo de seleção de fotos e gráficos, revisão do conteúdo programático, uniformização dos textos, garantindo que a publicação contemplasse apenas aquilo que já está consagrado na prática médica.
“A medicina se aprende nos livros, não nas revistas. Essa é uma frase clássica que tem que ser respeitada sempre, a despeito da tecnologia avançada e do progresso das publicações.”
Referências de Norte a Sul – O papel de Clínica Médica: Diagnóstico e Tratamento é particularmente importante para a difusão da prática médica de qualidade nas regiões mais distantes e áreas remotas, carentes de atualização científica, mas com a pluralidade de atendimentos, características de um país de dimensões continentais, miscigenação e cultura tão variados quanto o nosso, que desafia diariamente os profissionais na linha de frente do atendimento à população.
“Preenchemos aqui uma lacuna na literatura médica nacional, com uma abordagem completa das diversas áreas da medicina”, afirma o professor Antonio Carlos Lopes.
O trabalho não para por aqui, muito pelo contrário. Com o passar do tempo, afirma o professor, novas edições serão necessárias, tendo em vista o grande progresso da medicina na área de diagnóstico e tratamento. “O acesso à informação atualizada e confiável é imprescindível para que o médico siga realizando o diagnóstico adequado e oferecendo o melhor tratamento possível, em uma relação médico-paciente adequada, baseada no humanismo, que deve permear toda a atividade profissional.”
Do generalista ao especialista – De acordo com o coordenador geral da publicação, a publicação é voltada aos especialistas de todas as especialidades, para que possam consultar, de maneira prática e objetiva, também assuntos relacionados a outras áreas, podendo oferecer um encaminhamento adequado ao diagnóstico e tratamento de seus pacientes.
“É essencial que o médico, por mais especialista que seja, interaja com outras especialidades, e que tenha à mão uma fonte segura para consultas em caso de dúvidas”.
A obra, comenta ainda o coordenador, leva em conta a capilaridade entre as várias especialidades, de suma relevância no exercício da medicina no dia-a-dia, permitindo um diagnóstico e tratamento muito mais completos. “Esta característica é de fundamental especialmente nas regiões onde não há a oferta de especialistas que existe nos grandes centros. E ainda que haja, em muitos casos um mesmo especialista atende a diversas regiões, não estando disponível permanentemente. Assim, os clínicos precisam saber mais sobre as demais especialidades, enfim, ser generalistas na acepção completa da palavra”.
Para brasileiros e estrangeiros – “É um trabalho brasileiro, contempla a medicina brasileira”, afirma o professor, em referência ao fato de muitas vezes profissionais brasileiros precisarem se basear em obras internacionais, que nem sempre abrangem uma série de características típicas de nosso país e de nossa população.
Os colaboradores abordaram, de forma crítica, temas que atendem à exigência e necessidades reais dos profissionais que atendem no Brasil.
“Temos a garantia e a tranquilidade de trazer capítulos redigidos por colegas, médicos, professores, que exercem a profissão no dia-a-dia, habilitados a discorrer sobre diagnósticos e tratamentos de forma crítica, contemplando, por meio de experiências pessoais do dia-a-dia, contemplar aquilo que é consagrado, que é realmente importante.”
A obra, avalia, é também uma excelente referência aos médicos estrangeiros, ou mesmo aos brasileiros formados em outros países e que buscam, ou já conquistaram, a revalidação de seus diplomas.
“Clínica Médica: Diagnóstico e Tratamento é, ainda, referência importante àqueles que, mesmo formados nos grandes centros urbanos, atuam em regiões afastadas. Esta situação dificulta a atualização profissional e faz com que estes profissionais estejam em constante busca por alternativas para se manter atualizados.”
Livro: Clínica Médica: Diagnóstico e Tratamento
Autor: Professor Doutor Antônio Carlos Lopes
Editora Atheneu
Coleção: 6 volumes
Formato: 17,5 x 25 cm
Total de páginas: 6.254 Valor: R$ 777,00
Fonte: CFM