Presidente do Cremego fala sobre afastamento de médicos de hospitais públicos por contaminação por Covid-19

 

O POPULAR

 

Hospitais estaduais de Goiás têm 264 afastados por Covid-19

Afastados Chega a 264 número de profissionais com confirmação ou suspeita de Covid P14

Hugo, em Goiânia, tem 60,6% dos casos de licenças de profissionais de saúde por suspeita ou confirmação do novo coronavírus. Hugol é segundo em registros

Os hospitais da rede estadual de saúde de Goiás têm 264 profissionais afastados por suspeita ou confirmação do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Deste total, 84 testaram positivo para a doença, o restante tem sintomas e aguarda o resultado do exame ou está licenciado preventivamente por ter tido algum contato de risco com alguém doente. Mais da metade dos registros (60,6%) foi de trabalhadores do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

Em segundo lugar, mas com bem menos casos de contaminação, o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) tem 30 afastamentos com 6 confirmações para a Covid-19. Em terceiro e quarto lugares estão o Centro de Reabilitação e Readaptação (Crer) e o Hospital de Urgências de Anápolis (Huana) com 20 e 17 profissionais fora do trabalho respectivamente. Todas as outras unidades têm menos de 11 casos. A reportagem também incluiu no levantamento alguns hospitais municipais, um filantrópico e um federal (veja o quadro).

O ponto fora da curva dos números do Hugo é um sinal de que houve uma falha em medidas de precaução. É o que avalia o presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Leonardo Mariano Reis. “O Hugo não tem movimento tão maior que o Hugol e além do que, o Hospital de Doenças Tropicais (HDT), que seria de infectologia, não tem este tanto de afastamento. É realmente estranho.”

Mariano Reis concorda que ser um hospital de portas abertas, que recebe muitos pacientes via emergência, é um fator que pode aumentar o risco de contágio. No entanto, ele diz que o esperado é que haja contaminação de profissionais em unidades que são referência de Covid-19, como o Hospital de Campanha (HCamp) da capital.

A presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-GO), Ivete Santos Barreto, defende que houve falta de testagem e que os profissionais de saúde devem ser examinados periodicamente, independente de apresentarem sintomas. Ainda mais o Hugo, que segundo ela, tem a característica de ter muitos profissionais que trabalham em outros hospitais e unidades de saúde. Além da falta de testes, Ivete também aponta o uso tardio de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados e suficientes como uma hipótese que explique a maior contaminação no hospital.

A presidente do Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego), Franscine Leão, compara as realidades do Hugo e do Hugol. Ela afirma que os dois são unidades de portas de entrada para grandes emergências, mas que no Hospital da Região Noroeste havia uma preocupação de maior paramentação dos profissionais com equipamentos de proteção no início da pandemia. “No Hugol, a paramentação era completa bem antes de outras unidades”, avalia. O Hugol é referência no tratamento de Covid-19 em crianças.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (Sindsaúde-GO), Flaviana Alves, diz que a grande quantidade de afastamentos do Hugo é proporcional ao número de denúncias de irregularidades que recebe. “Qual o lugar que a gente mais recebeu denúncia das condições de EPIs? É o Hugo. Qual a unidade que a gente mais recebe denúncia de sobrecarga de trabalho? É o Hugo. Qual é a unidade que a gente mais recebe denúncia de precarização das relações de trabalho? É o Hugo. Quando não dá dignidade aos trabalhadores, as pessoas vão trabalhando sob uma alta pressão psicológica e física, e podem acontecer erros éticos e outros erros”, avalia.

“Não podemos demonizar o Hugo”

O governador Ronaldo Caiado (DEM) comentou o surto de novo coronavírus (Sars-CoV-2) dentro do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) durante entrevista transmitida ao vivo pelo POPULAR na manhã desta terça-feira (5). Ele reconheceu o problema, mas defendeu que a unidade não deve ser “demonizada” e disse que agora várias unidades de urgência passaram a seguir protocolo mais rígido, semelhante ao que é feito no Hospital de Campanha de Goiânia (Hcamp). 

“Nós não podemos de maneira nenhuma tentar demonizar a figura do hospital do Hugo. O primeiro óbito que teve foi uma enfermeira e que não contraiu a doença no Hugo. Foi na rede privada”, afirmou o governador. 

Caiado também reconheceu que o vírus pode ter se espalhado pelo hospital através de pacientes que tinham a doença, não tinham sintomas e entraram no hospital via urgência por conta de acidentes de trânsito. “Como nós saímos do isolamento social, tivemos com isso um número maior de acidentes de trânsito e muitos desses acidentados ou pessoas que também tiveram outras complicações chegaram no Hugo com fraturas e foram tratados em caráter da urgência do acidente e infelizmente eram portadores do vírus”, relata o governador.

Reportagem do POPULAR publicada na terça-feira (5) com relatos de trabalhadores do Hugo mostrou que um paciente de uma UTI do Hugo, vítima de um trauma toráxico em um acidente de trânsito, foi entubado várias vezes sem a segurança necessária e mais tarde se descobriu que ele tinha coronavírus. 

Ainda na entrevista, Caiado lembrou que estão sendo priorizados testes em trabalhadores no Hugo. Além disso, disse que a unidade e outros hospitais vão seguir um protocolo mais rígido mesmo para pacientes sem sintomas de Covid-19. “Falhas vão ocorrer. Estamos em cima para corrigir aquilo imediatamente. É isso que acho importante.” 

Diretor fala sobre número de casos

O diretor-técnico do Hugo, Eros de Souza, aponta algumas explicações para o hospital ter mais casos de afastamento por suspeita ou confirmação de Covid-19: o tamanho, é o segundo maior do Estado; muitos funcionários também trabalham na rede privada, onde houve os primeiros casos da doença; ter sido uma das primeiras unidades a afastar por precaução trabalhadores que tiveram contato com positivados, mesmo sem sintomas; a internação de pacientes com o vírus, mas assintomáticos. 

Eros lembra que no último sábado (2), o Hugo fez uma iniciativa inédita de testar quase todos os trabalhadores e pacientes. “Apesar de toda a segurança, com equipamentos disponíveis e equipe treinada, o vírus dissemina com um poder fora do controle na comunidade. Temos de ter maturidade diante de uma pandemia desta dimensão e assumir que não contraímos a doença das pessoas que temos contato ou de lugares que frequentamos, vivemos em uma pandemia com contaminação comunitária. Somos todos vítimas e o Hugo está na linha de frente”, declara o diretor-técnico.

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DAQUI

Hugo tem 60,6% dos afastados

Por suspeita ou confirmação de Covid-19,264 profissionais foram afastados de hospitais da rede estadual de saúde de Goiás. Do total, 84 testaram positivo para a doença, o restante tem sintomas e aguarda o resultado do exame ou está afastado preventivamente por ter tido algum contato de risco com alguém doente.

Mais da metade dos afastamentos (60,6%) foi de trabalhadores do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Em segundo lugar, mas com bem menos casos de contaminação, o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) tem 30 afastamentos com 6 confirmações. Em terceiro e quarto estão o Centro de Reabilitação e Readaptação (Crer) e o Hospital de Urgências de Anápolis (Huana), com 20 e 17 profissionais afastados, respectivamente. Todas as outras unidades têm menos de 11 casos. A reportagem também incluiu no levantamento alguns hospitais municipais, um filantrópico e um federal.

FALHA

O ponto fora da curva dos números do Hugo são um sinal de que houve uma falha em medidas de precaução e prevenção. E o que avalia o presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Leonardo Mariano Reis. “O Hugo não tem movimento tão maior que o Hugol e, além do que, o HDT, que seria de infectologia, não tem esse tanto de afastamento. É realmente estranho”, disse.

Mariano Reis concorda que ser um hospital de portas abertas, que recebe muitos pacientes via emergência, é um fator que pode aumentar o risco de contaminação. No entanto, ele diz que o esperado é que haja contaminação de profissionais em unidades que são referência de Covid-19, como o Hospital de Campanha (HCamp) da capital.

Em reportagem publicada ontem, profissionais relataram casos de falta de segurança no atendimento de pacientes que estariam sem coronavírus, mas que depois se descobriu que estavam infectados. “Hoje não tem como falar que um paciente não é Covid. Tem que encarar todos como se fossem contaminados”, defende o presidente do Cremego.

A presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-GO), Ivete Santos Barreto, defende que houve falta de testagem e que os profissionais de saúde devem ser testados periodicamente independente de apresentarem sintomas. Ainda mais o Hugo, que segundo ela, tem a característica de ter muitos profissionais que trabalham em outros hospitais e unidades de saúde. Além da falta de testes, Ivete também aponta o uso tardio de EPIs adequados e suficientes como uma hipótese que explique a maior contaminação no hospital.

REFERÊNCIA

A presidente do Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego), Franscine Leão, compara a realidade do Hugo e do Hugol. “No Hugol, a paramentação era completa bem antes de outras unidades”, avalia. O hospital da região Noroeste é referência no tratamento de Covid-19 em crianças.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (Sindsaúde-GO), Flaviana Alves, diz que a grande quantidade de afastamentos do Hugo é proporcional ao número de denúncias de irregularidades. “Quando não dá dignidade aos trabalhadores, as pessoas vão trabalhando sob uma alta pressão psicológica e física, e podem acontecer erros éticos e outros erros”, avalia.

Diretor afirma que tamanho contribui

O diretor-técnico do Hugo, Eros de Souza, aponta algumas explicações para o hospital ter mais casos de afastamento por suspeita ou confirmação de Covid-19: o tamanho, é o segundo maior do Estado; muitos funcionários também trabalham na rede privada, onde teve os primeiros casos da doença; ter sido uma das primeiras unidades a afastar por precaução trabalhadores que tiveram contato com positivados, mesmo sem sintomas; a internação de pacientes com o vírus, mas assintomáticos.

Eros lembra que no último sábado, o Hugo fez uma iniciativa inédita de testar quase todos os trabalhadores e pacientes. “Apesar de toda a segurança, com equipamentos disponíveis e equipe treinada, o vírus se dissemina com um poder fora do controle na comunidade. Temos que ter maturidade diante uma pandemia dessa dimensão e assumir que não contraímos a doença das pessoas que temos contato ou de lugares que frequentamos, vivemos em uma pandemia com contaminação comunitária. Somos todos vítimas e o Hugo está na linha de frente”, declarou.

 

{06/05/20}

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