Wanda Oliveira Welliton Carlos Da Editoria de Cidades De acordo com dados divulgados pelo Conselho Regional de Medicina (Cremego) a falta de médicos é situação crítica em Goiás. A autarquia informa que há ausência de médicos em 69 municípios do Estado. O número confronta com conclusão de um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a pedido do Ministério da Saúde (MS). Segundo a pesquisa, 17 municípios de Goiás apresentam déficit de médicos para atender à população. Nessas cidades, não há registro de nenhum profissional, enfermeiro e agentes do Programa de Saúde da Família (PSF). Entre os 20 Estados pesquisados, Goiás aparece em sétimo lugar da lista com o maior número de municípios sem médicos. A crise afeta principalmente as cidades com menos de 12 mil habitantes. Entre elas, destaca a pesquisa: Anhangüera, Três Ranchos, Buritinopólis, Gouvelândia, Guarani de Goiás, São Patrício, Uirapuru, Davinopólis, Heitoraí, Marzagão e Córrego do Ouro. O levantamento nacional foi divulgado no último dia 23, em Ouro Preto (MG), durante encontro da Global Health Workforce Alliance, órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS). O encontro teve como tema maior presença de médicos onde há carência. O trabalho aponta que a falta de investimentos dos governantes em desenvolvimento é uma das principais causas da escassez de profissionais da área no Brasil. A carência atinge 455 municípios brasileiros, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), do MS. As estatísticas foram confirmadas por pesquisa telefônica realizada por agentes da UFMG. O coordenador do estudo, professor Sábado Nicolau Girardi, informou ao DM que a apuração ocorreu em setembro deste ano, mas já havia sido autorizada pelo governo federal desde fevereiro. Ele explica que a situação é mais grave nas regiões Norte, Sul e Sudeste do País. Nesses locais, 25% das cidades não têm médico na rede pública de saúde. “Não existe registro nem contrato de trabalho entre empregador e médico nesses municípios. Há locais sem posto de trabalho e agentes do PSF. Isso é preocupante.” Anestesiologia, pediatria, psiquiatria e medicina intensiva são as especialidades com a maior carência no Brasil. A contratação de anestesiologistas e pediatras é o principal problema que enfrenta o Nordeste (42%). No Sul, 25% dos hospitais têm a mesma dificuldade. No Sudeste, a carência maior é de pediatras, 32%. No Centro-Oeste, faltam profissionais na área de medicina intensiva (42,9%) e psiquiatra (37,5%). O Estado com o maior déficit é o Tocantins, que possui 82 municípios sem nenhum profissional. São Paulo aparece em segundo lugar, com 57 cidades e o Rio Grande do Sul, com 55. As cidades com os menores índices de ausência de médicos foram registradas em Alagoas, Ceará e Mato Grosso do Sul. Uma cidade em cada um dos Estados. De acordo com a OMS, faltam 4 milhões de médicos no mundo. O Brasil conta com 1,15 profissional para cada mil habitantes, quando a indicação é de no mínimo um médico por mil habitantes. Municípios sem estrutura adequada O presidente do Cremego, Salomão Rodrigues Filho, informa que os números referentes à falta de médicos é ainda maior do que o levantamento divulgado pela UFMG. Ele diz que 69 municípios goianos não têm nenhum profissional de Medicina residente e 61 cidades têm a presença de apenas um médico. “Isso não significa que faltam médicos, pois todas as cidades são atendidas pelos profissionais. Ocorre que alguns municípios não oferecem estrutura adequada.” Salomão explica que não faltam também profissionais para atendimentos básicos. Atuam no Estado 8.701 “doutores”, número considerado razoável pelo dirigente da autarquia representativa dos médicos. Ele não credita a ausência de médicos nos municípios à falta de faculdades. “Temos a segunda maior quantidade de faculdades de Medicina em todo o mundo.” O médico reconhece que a ausência dos profissionais dificulta a relação médico-paciente, pois o profissional se distancia da realidade do município. Informa, porém, que muitas prefeituras “brincam” de saúde: “Existem diversas reclamações no Cremego de prefeitos que contratam apenas verbalmente os médicos. Depois de três meses sem receber, acabam indo embora da cidade. É um fato comum. Temos, inclusive, os nomes dessas cidades.” Salomão explica que o ideal seria que toda cidade apresentasse uma rede completa de assistência médica, mas a falta de estrutura e atrativos financeiros impede o profissional de se posicionar em apenas um município. “A situação do doutor que vai para o município em um dia por semana, no sistema de plantão, é comum. O ideal seria que a prefeitura apresentasse estrutura para que o médico pudesse atuar no município.” Rui Gilberto, presidente da Associação Médica do Estado de Goiás, diz que a “prefeiturização” do sistema de saúde e a conseqüente “politicagem” impedem o médico de atuar em muitos municípios. Além disso, ele diz que a falta de clínicos gerais, motivada pelo atual sistema de educação, que prefere especialistas, seria outro fator para a falta de profissionais. “O que é uma pena, pois eles praticam uma medicina bonita, próxima das comunidades.” Capacitação é problema Secretário municipal de Saúde de Goiânia, Paulo Rassi afirma que só na Capital faltam cerca de 60 profissionais. Ele acredita que o principal problema é a falta de médicos capacitados, que não apresentam residência médica ou preparo para atender questões de saúde pública. “As universidades passaram a incluir este ponto em suas grades curriculares, o que deve melhorar o atendimento.” Rassi também discorda que exista falta de médicos formados e de universidades. “Falta profissional preparado. Estudo recente demonstrou que 60% dos recém-formados não sabem diagnosticar pneumonia.” (Fonte: Diário da Manhã, 25/11/08)
CREMEGO NA MÍDIA: Faltam médicos em 69 cidades
25/11/2008 | 00:00