Em matéria publicada hoje, 24 de julho, nos jornais O Popular, Daqui e O Hoje, o presidente do Cremego, Leonardo Mariano Reis, falou sobre o aumento da taxa de mortalidade infantil em Goiás e atribuiu esse crescimento à deterioração do sistema público de saúde e a falhas na vacinação das crianças. “Temos um atendimento público que piora a cada dia e as pessoas não têm condições de arcar com planos de saúde. Infelizmente ainda temos mortes por falta de assistência básica”, completou. Confira:

 

JORNAL DAQUI

 Mortalidade só cresce em Goiás

DADOS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE APONTAM QUE O NÚMERO DE BEBÊS MORTOS APÓS NASCIMENTO É MAIOR DO QUE A MÉDIA BRASILEIRA

A mortalidade infantil em Goiás não para de crescer. É o que apontam dados do Ministério da Saúde (MS). Mais de 5,8 mil crianças de zero a 1 ano morreram no Estado nos últimos 10 anos e uma taxa de mortalidade infantil que caminha acima da média nacional desde 2011.

Os dados revelam que Goiás chegou em 2016 a 15,4 mortes a cada mil nascidos contra 14 mortes por mil no Brasil. Entre as principais causas de óbitos no primeiro ano de vida no Estado estão doenças respiratórias como bronquiolite, pneumonia e bronquite, que correspondem a 18,22% do total desde 2008.

De acordo com o Ministério da Saúde, de 1990 a 2010, Goiás estava sempre com números abaixo da média nacional. De 2011 para cá, a situação se inverteu, sendo que em 2016, enquanto o Brasil chegou a 14 mortes por mil nascidos, Goiás ficou com 15,49 (confira quadro).

Levantamento detalhado do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do MS, especifica a quantidade de óbitos e internações por hospital no Estado (veja quadro). No geral, os óbitos aumentam conforme maior o número de internações. O líder do ranking é o Hospital Materno Infantil (HMI).

DOENÇAS RESPIRATÓRIAS

No total, 1.059 mortes durante o período analisado envolvem doenças respiratórias. Vice-presidente da Sociedade Goiana de Pediatria (SGP), Ana Márcia Guimarães explica que em primeiro lugar estão 632 mortes que dizem respeito a doenças como bronquite, bronquiolite e pneumonia e, em seguida, 427 estão relacionadas às mesmas doenças, mas com necessidade de internação. “Em terceiro lugar estão doenças relacionadas ao baixo peso no nascimento. Geralmente, a causa é materna, de desnutrição intrauterina. Para evitar essa enfermidade as gestantes precisam de, no mínimo, oito consultas de pré-natal. Na sequência, temos sepse, infecções bacterianas generalizadas que ocorrem muito em recém-nascidos prematuros ou os que precisam ir para a UTI neonatal”, completa.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Leonardo Reis, também atribui o aumento de mortes à deterioração do sistema público de saúde. “Temos um atendimento público que piora a cada dia e as pessoas não têm condições de arcar com planos de saúde. Infelizmente ainda temos mortes por falta de assistência básica”, completou.

Para Ana Márcia, a mortalidade infantil também reflete a crise econômica. “O desemprego ou a queda da renda familiar traz uma piora socioeconômica e as crianças têm menos acesso à saúde”, pontua.

Programa foi suspenso após lançamento

Lançado em julho de 2016, pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), o programa Siga Bebê tinha como objetivo diminuir os índices de mortalidade infantil no Estado e promover o acompanhamento desde o pré-natal até o primeiro ano de vida. A meta inicial era atender 30 municípios no primeiro ano de ação, mas hoje, dois anos depois, apenas dois municípios utilizam o módulo em Goiás: Jatai e Trindade.

Na época do lançamento, a SES escolheu os municípios com maior índice de mortalidade e afirmou também que trabalharia com empenho para evitar mortes por doenças evitáveis como hipertensão e diabetes.

A SES informou que o trabalho de divulgação e treinamento do Siga Bebê serão retomados ainda no segundo semestre. Sobre os dados do Ministério da Saúde, a pasta contestou. Segundo a secretaria, a mortalidade em 2011 era de 13,97 por mil nascidos vivos contra 13,63 do Brasil. Já em 2016, a mortalidade goiana seria de 13,03 contra 12,72 nacionais, acima da média do País.

A SES salientou que as informações fornecidas pelo Estado são provenientes de base de dados oficiais do MS e que retratam a realidade de Goiás”. No entanto, os dados da reportagem partiram do próprio Ministério.

O HOJE

Aumenta mortalidade infantil em Goiás

Para a SBP, a epidemia do zika vírus e os efeitos da crise econômica no país sobre a população são alguns dos responsáveis pela alta da taxa

Raunner Vinícius Soares*

Cresce o número de mortalidade infantil -crianças menores de 1 ano- em Goiás. Apesar do crescimento no número ser mais tímido, não é menos preocupante.  A taxa de mortalidade infantil registrada em 2014 era de 12,85 por mil. No ano seguinte o índice foi 12,23. Já em 2016 o número saltou para 13,02.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (CREMEGO), Leonardo Mariano Reis, em razão da crise econômica que ocasionou a falta de vacinas, disponibilizadas pelo poder público, as crianças ficaram mais vulneráveis, além de algumas doenças que estavam extintas voltaram. E também pela disseminação de alguns grupos antivacina, que propagam informações falsas na internet. “Não tem pesquisas que indique isso, tem que ser apurado”, explica. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou uma nota pública em que pede o empenho das autoridades sanitárias no enfrentamento das reais causas para o aumento na taxa de mortalidade infantil. Segundo a SBP, a confirmação desse número aponta o encerramento um ciclo positivo de quase três décadas. A SBP tem se manifestado firmemente junto ao Ministério da Saúde e outros órgãos do Governo cobrando providências para melhorar a qualidade da assistência para crianças e adolescentes.

Para a SBP, a epidemia de zika vírus e os efeitos da crise econômica no país sobre a população não podem ser considerados como os únicos responsáveis pela alta da taxa. “Não se pode ignorar fatores como a baixa cobertura vacinal e o risco de ocorrências de doenças infectocontagiosas (sarampo, meningite, tuberculose, sífilis congênita, dentre outros)”, diz a nota.

Brasil

A taxa de mortalidade infantil voltou a crescer no Brasil pela primeira vez desde 1990. O ano de 2016 registrou o mais alto índice dos últimos 26 anos e a tendência é de que a situação se repita nos registros de 2017 que ainda não foram concluídos. A taxa de mortalidade infantil é definida como o número de óbitos de menores de um ano de idade por mil nascidos vivos. 

A principal causa para o aumento do índice apontada pelo Ministério da Saúde é o surgimento do Zika vírus e a sua relação com a microcefalia, doença que teve seu auge justamente em 2016. Nessa época, o indicador nacional atingiu 14 óbitos infantis a cada mil nascimentos, o que representa um aumento de quase 5% sobre o ano anterior.

Um estudo prevê elevação da mortalidade infantil em 8,6% com redução de programas sociais. Sem a política de austeridade econômica, 124 mil internações e 20 mil mortes de crianças podem ser evitadas até 2030. As políticas de austeridade adotadas no Brasil contra a crise econômica levarão a um aumento de 8,6% da taxa de mortalidade infantil no Brasil até 2030, em comparação a um cenário no qual os programas de proteção social não tivessem sua cobertura reduzida. A conclusão é de um estudo realizado por um grupo internacional de cientistas e publicado na revista PLOS Medicine. (Raunner Vinícius Soares é estagiário do jornal O Hoje sob orientação do editor interino de Cidades Rafael Melo) 

 

O POPULAR

 

CREMEGO NA MÍDIA MORTALIDADE INFANTIL 1

 

CREMEGO NA MÍDIA MORTALIDADE INFANTIL 2

 

(Rosane Rodrigues da Cunha/Assessora de Comunicação – Cremego 24|07|18)

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