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Artigo - Importando médicos, escondendo problemas

O governo brasileiro negocia com Cuba a importação de cerca de 6000 ou mais médicos daquele país para suprir a deficiência de médicos em regiões carentes do Brasil. Não demora muito e em Japurá no Norte do Amazonas poderemos presenciar o seguinte dialogo.

- Doutor, estou passando mal, tenho náuseas e vômitos, minha regra está atrasada. Acho que estou grávida

-Por supuesto, su período es tarde, creo que estás embarazada

- Não sr. doutor, minha consulta estava marcada para hoje de manhã, quem está embaralhado é o senhor

-Si, é o que estoy diciendo, estás embarazada

- Médico esquisito

-Obrigado! Mui amável de vossa parte, a senora tambem é mui esquisita

-Cruz Credo! Demora tanto vir um mÉdico para estas redondezas e quando vem a gente não entende nada.

Parece piada, mas o governo brasileiro acha que agora a saúde toma jeito, bastando substituir os mal formados médicos brasileiros pelos bem formados médicos cubanos. Além do mais, os médicos brasileiros são muito exigentes diferentemente dos cubanos.Os salários a serem pagos aos cubanos R$ 8.000,00 mensais dos quais cerca de R$ 6.500,00 destinados ao governo cubano, mostram o quanto os médicos brasileiros são ingratos, afinal aqui, um médico especialista prefere ganhar cerca de R$ 3.000,00 em grandes centros mas não se aventura a trabalhar em Uiramutã, em Roraima.

O Brasil possui cerca de 400.000 médicos, ou seja, dois médicos para cada grupo de cerca de 1.000 pessoas. O Reino Unido possui 2,4 médicos para cada 1.000 britânicos. É certo que a imensa maioria destes profissionais estão exercendo seu mister nas capitais e grandes cidades do Brasil. No Rio de Janeiro, por exemplo, existem 5,4 médicos para cada 1.000 cariocas. Em Goiânia, 4 médicos para cada 1.000 goianienses. Enquanto isto dezenas, centenas de cidades brasileiras estão desassistidas de médicos.

O grande problema é a falta de estrutura destes locais. Falta apoio hospitalar, laboratorial, multiprofissional. Sobram desvios de recursos, corrupção e promessas de políticos corruptos que prometem ao médico e a população investimento em saúde e em troca nada oferecem.Testemunhei locais em que o médico trabalha com salários baixos porém com segurança para exercer sua profissão.Difícil aceitar um salário em troca de insegurança.Médicos não são deuses, precisam, sim, de melhor remuneração, precisam, também de infraestrutura para atender as demandas crescentes da população, precisam de apoio político, precisam de políticas de fixação do profissional como, por exemplo a criação de profissionais médicos de carreira, assim como acontece com policiais, juízes, etc.

O que o governo brasileiro não enxerga é sua incompetência. Não basta importar médicos, é preciso investir massivamente em saúde. Há, porém, um aspecto positivo nesta intenção de importação de profissionais de saúde. Se der certo, quem sabe poderemos também estender esta política para outras áreas e resolvermos alguns gargalos brasileiros. Quem sabe poderemos também importar políticos honestos. E olha que nem precisa de 6000.

* Elias Hanna é médico e conselheiro do Cremegoalt

 
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