Rede dos Conselhos de Medicina
O médico e o sacerdócio

 

  Dr. Fernando Pacéli Neves de Siqueira

 

Semanticamente, o significado do vocábulo sacerdócio se refere à magnanimidade e à dedicação no exercício de uma missão. Este encargo, quando exercido de forma sacerdotal, demonstra uma intrépida e denodada oferta de si, haja vista que assume sacrifícios, transgride com ombridade os horários, desafios, situações difíceis e adversas.

O médico em sua atuação sacerdotal torna-se uma referência honrosa e idônea de seu mister, concorrendo humanisticamente para a edificação de uma sociedade mais justa e solidária.

É de domínio público que os primeiros médicos foram os sacerdotes que, nas diversas culturas, inspirados ou credenciados pelos deuses, praticavam a arte de curar. Era, portanto, a Medicina uma atividade divina, exercida pelos deuses por intermédio dos sacerdotes, que também decidiam e doutrinavam em matéria de ética social.

O início do fim da Medicina Sacerdotal ocorre depois que a mesma é assambarcada pela  Medicina Hipocrática, cujo nascimento se dá pari passu com a Filosofia Socrática.  Desde então, a morte, a dor e a finitude perdem o simbolismo e tornam-se circunstâncias naturais. 

O pensamento Hipocrático e, posteriormente o de Galeno, definem o médico como um homem aprimorado pela ética e pelo conhecimento acerca da natureza humana.

O médico traz em seu âmago os valores adquiridos em sua educação e na sua experiência pregressa, adequando-os ao seu curso de Medicina, mesmo que esses valores sejam negados, alterados ou confirmados.

O médico é formado para exercer uma atividade complexa, fundamental para a vida e as realizações da espécie humana e de cada homem. O médico deve receber em sua formação acadêmica todas as informações possíveis a respeito da natureza humana, possibilitando-o a ver e compreender o paciente (ser humano) com seus valores intrínsecos.

Nos dias de hoje, com esse turbilhão de faculdades de Medicina pululando por este país, torna-se temerária a qualidade da formação médica.

Certa feita em um conclave médico, ouvi de um professor de uma determinada Faculdade de Medicina, que o sacerdócio no exercício da Medicina não existe, que é uma falácia hipócrita. Tamanho absurdo! Este sim é um indivíduo que todos nós temos que observá-lo, pois os valores que carrega consigo não coadunam com qualquer profissão e, muito menos, com o magistério que pratica.

O sacerdócio na Medicina nada mais é que uma extensão da profissão, visto que está inserido em todo o contexto médico, impossível dicotomizá-lo e ser médico em sua plenitude.

A Medicina evoluiu muito nos últimos anos com a inserção de tecnologias outrora inimagináveis, entretanto temos que ter em mente que o tecnicismo não pode em momento algum suplantar o humanismo, estes deverão se acoplar para a boa prática desta milenar profissão.

Em 18 de outubro é celebrado o dia do Médico e também de seu patrono, o evangelista Lucas, que como médico foi um autêntico sacerdote.  Aproveito a data para cumprimentar todos os médicos que, apesar das dificuldades diárias, exercem a profissão de forma sacerdotal.

 

 Dr. Fernando Pacéli Neves de Siqueira é médico pediatra e 1º secretário do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego).

 

 
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